A ordem das idades não altera o produto
19/03/2011 - Enviado por Thomas Korontai
O mercado e os governos já comentam, ainda que timidamente, que a forma da figura estatística das faixas etárias da população brasileira não é mais piramidal, cuja base seria composta por jovens. Boa parte dessa base migrou e está migrando para as faixas superiores da figura, fazendo-a parecer mais um retângulo em pé. O foco dos debates está sempre na previdência e assistência médica, nas oportunidades de mercado que surgem e surgirão para atender essa classe crescente, mas pouco se fala do mercado de trabalho como algo que poderia ser considerado como novo.
Assim, o que se observa é uma rejeição de pessoas com mais de 40 anos de idade. Essa situação decorre por dois motivos entrelaçados: o mercado de trabalho, composto pela massa de jovens que estão entrando no mesmo, mas, principalmente mentalidade dos contratantes. É provável que se esteja adotando um estereótipo burro, ou seja, um procedimento impensado, pois, uma pessoa com mais de 40 anos é justamente aquela que, via de regra está mais do que “pronta”, cheia de experiências, de conhecimentos. E a medicina proporciona cada vez mais, longevidade com saúde.
É bom observar, felizmente, alguns movimentos em sentido contrário, como estampam matérias de revistas de negócios, ao que parece, algumas empresas estão começando a despertar para esse tesouro. Mas muitas ainda abrem chances nesse sentido minimizando salários como se estivessem fazendo um “serviço social”. Ao menos, já indica, algo mais alentador.
É certo que a legislação previdenciária, muito ruim em praticamente tudo, falha nesse sentido também, pois coloca em risco a aposentadoria de uma pessoa que decida voltar a trabalhar. Mais um erro dos milhões de erros que se praticam contra o Povo do Brasil, por conta de legislações estúpidas.
Como corrigir? Reconhecemos que Brasil chegou a um ponto no qual precisa mesmo é de um choque estrutural, democrático e institucional, pois não é inteligente persistir na busca de solução para um ramo da imensa erva daninha que se tornou o corolário legislativo nacional. Ou se extirpa a erva daninha, ou melhor, esquecer. Quando se tenta corrigir alguma coisa, outra surgirá para ampliar o problema. Quando um país chega à situação de lutas dos milhares grupos de interesses próprios, a maioria dos quais, legítimos, por justificar sua própria sobrevivência humana, então a confusão se estabelece. Quem sai ganhando são os atravessadores de favores da burocracia, que se constituem, eles mesmos, em novos grupos de interesses, estes escusos, sejam os da administração pública, seja na política. O país se perde e seu povo se divide. "Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá” (Livro de Mateus, 12:25) nos deixa uma clara indicativa do que está acontecendo no Brasil.
Com o redimensionamento da economia, da moralidade, da meritocracia, da competitividade honesta sem privilégios garantidos por governantes, provocados por grandes transformações estruturais no sentido de um federalismo pleno, não resta dúvida de que as melhores cabeças serão aproveitadas, requisitadas e valorizadas, e os portadores da sabedoria saberão bem explorar isso, dentro dos melhores preceitos de mercado. Não teremos mais legislações que impeçam isso de ocorrer. Outro mau exemplo do que é legislação humilhante, é a que se refere ao salário mínimo. Esta jamais deveria existir, pois além de pautar a vida das pessoas pelo mínimo, deixa de fora milhões de outras sem nenhum preparo e que poderiam ser empregadas, mesmo por valores menores, mas que abririam portas de oportunidade de crescimento pessoal, dentro de uma escala de mérito progressivo. Com os impedimentos atuais, as pessoas são simplesmente marginalizadas, não há chances para nada, como bem disse Walter Williams em entrevista concedida à Revista Veja, edição de 05.03.11.
A ordem das idades, portanto, altera o produto interno bruto de um país, para mais, se forem adotadas medidas que deixem o mercado operar livremente, criando suficiente poupança para todos que chegarem à idade na qual, não se poderá fazer mais do que dividir a sabedoria com os familiares.
*Thomas Korontai é fundador e líder do Movimento Federalista – www.movimentofederalista.org.br
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