Publicidade
Publicidade


Campo Grande, Terça-feira, 09 de Fevereiro de 2010.     


Principal |
Da Redação - Edição 813
Noticia de: 11 de Julho de 2009 - 15:00
Cozinha de bairro
Periferia da Capital atrai consumidores de todos as classes sociais de Campo Grande
 

Divulgação / Roberto Medeiros

 

 

Comidas típicas e exóticas, dificilmente encontradas em restaurantes finos atraem o público

 

Bares e restaurantes de bairros de Campo Grande vem recebendo uma preferencia inusitada. Tem aumentado o fluxo das classes média e alta em direção as mesas da periferia. Qual o segredo disso?

O que se pode analisar é que, na atualidade, se vive uma globalização onde o aumento de comidas rápidas e fast-foods é visível e considerável. O tempo do ser humano em geral é escasso e vale "ouro", " não temos tempo para nada", diz a moradora do bairro Cophamat, Rebecca Torres que afirma optar por comer no seu próprio bairro. Mas o que chamou a atenção foi o deslocamento de pessoas de outras regiões para estabelecimentos comerciais que se encontram muitas vezes à 12 km do centro da Cidade.

Um dos entrevistados foi o proprietário do Bifão da Cophasul, distante do centro de Campo Grande mas que recebe dezenas declientes de toda capital.. "O prefeito, o próprio governador, amam comer aqui, pois o que servimos é feito com amor e dedicação, toda a família trabalha unida. Tenho em média, 17 funcionários. O bife é de boa qualidade e o preço é acessível, sem contar que a porção dá para duas pessoas ficarem satisfeitas e bem servidas. O local é agradável, ficamos dentro de uma praça, a qual a prefeitura me autorizou a cuidar e fazer a manutenção. Até turistas dos grandes centros me visitam, já virou um ponto turístico, estamos inclusos no Guia Cidade da prefeitura", declara Duair Teodoro Garcia, proprietário do Bifão da Cophasul que está no mercado há oito anos. O Bifão começou pequeno, era apenas um trailer com seis jogos de mesas, hoje são 160 jogos.

Uma curiosidade é a cadeia de fast-food da rede MacDonald´s, por exemplo, estão espalhados 18 mil restaurantes em 91 países, mas em Campo Grande encontra-se dois restaurantes da rede. "Prefiro um lanche do Verdão do que um Big Mac. O lanche do MacDonal´s é muito pequeno e custa caro, não mata a fome, agora lá no Verdão você paga o mesmo valor, mas por um lanche que dá para duas pessoas. Acabei de me formar, moro no Jardim dos Estados, é longe do Verdão, mas quando saia da faculdade não pensava duas vezes, cruzo a Cidade para comer lá, o atendimento é mais pessoal, o próprio dono faz o lanche, me sinto em casa", afirma Caio recém formado em zootecnia. O nome do trailer foi colocado pelos próprios clientes, por causa da cor do estabelecimento ser verde.

Opiniões

O trailer do Verdão fica na Av. Júlio de Castilho há 12 anos. Seu José, que é o proprietário, prepara e fiscaliza os lanches. O hambúrguer é de carne bovina e feito por ele mesmo, "além da qualidade do preparo, o nosso diferencial é o tamanho, não tem lanche maior que o nosso aqui em Campo Grande", afirma o dono do Verdão José Ramos de Souza

O vereador Airton Saraiva é outro adepto da culinária diferenciada, "eu vou longe para comer o que gosto, como é o caso da buchada, não é em qualquer lugar que você encontra e que seja bem preparada, um carneiro, por exemplo, são comidas tradicionais de outros estados. E geralmente os bares e restaurantes mais simples que optam por comidas mais tradicionais. Gosto de um lugar que fica na Copharadio, onde nos reunimos para fazer a rabada, a galinha caipira. Além do mais "não é necessário aquele cuidado que se tem quando está na alta sociedade, não preciso ir de camisa social, apenas um chinelão e uma regata, me sinto a vontade nesses lugares mais afastados e simples". A maioria das pessoas que moram aqui no Mato Grosso do Sul são descendentes de fazendeiros e a cultura implica em gostar de carne e não dessas comidas mais sofisticadas, isso vem da infância, de comer algo que lembra a fazenda, algo simples", explica o vereador que diz ter como prato preferido a buchada de bode e que ele costuma comer no bar do Fernando que fica no Jardim Presidente. Outro aspecto que o vereador analisa é a simplicidade dos lugares que faz com que o cliente se sinta como se estivesse na extensão de sua casa. "Outro bar que conheço e que é interessante, pois ele é bem simplório e sem infra-estrutura, se comparado a outros estabelecimentos, como a Cachaçaria que fica bem perto, é o Copo Sujo, no bairro Monte Líbano. O local é agradável, bom atendimento, mas não é sofisticado e nem tem atrativos como os mais centrais, mas o movimento é considerável e você encontra advogados, juízes, médicos, engenheiros, promotores que optam por estar à vontade, sem se preocupar com a etiqueta", finaliza Airton Saraiva.

O restaurante Farinha D´água, que fica na Av. guaicurus, no Bairro Universitária é outro local que atrai pessoas de todos os bairros de Campo Grande, com uma culinária diversificada e um ambiente exótico, o bar tem como atrativo comidas típicas de várias regiões do Brasil, como o frango ao molho pardo, a rabada mineira, o arrumadinho, peixes à Rondônia, entre outras peculiaridades. O proprietário José Carlos, que é especialista em comidas típicas brasileiras, afirma que tentou mudar o restaurante para um lugar central, mas que a clientela diminuiu, "eles gostam do lugar afastado, pois é mais aconchegante", diz o proprietário do Farinha D´água que está no mercado há 15 anos.

Comportamento

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Ortiz, diz que esse comportamento do cliente migrar para a periferia é resultado dos novos ricos que vem surgindo no Estado, "pessoas que saíram dos bairros porque enriqueceram e gostam de voltar as velhas raízes, ver os amigos e comer o que era acostumado", afirma Paulo Ortiz. Outro aspecto a ser ressaltado é o corpo de funcionários desses estabelecimentos, geralmente, na maioria das vezes, é composto pelos familiares, para que o custo seja menor, isso faz com que exista a intimidade entre eles e para com os clientes também.

A ABRASEL representa todo segmento de comida fora do lar e a maior preocupação da Associação é com a saúde, "a mesma burocracia que se tem com um estabelecimento do centro, deveria ter com um da periferia, mas isso não acontece, a fiscalização não chega até os bairros mais afastados. Isso faz com que os restaurantes centrais tenham mais custos, pois pagam impostos, ICMS, e sem contar que a cozinha precisa estar nas normas da vigilância sanitária. Por esse motivo, a demanda de estabelecimentos que comercializam comida é maior na periferia e os preços são mais acessíveis. O faturamento desses estabelecimentos mais afastados chega a ser maior que os do centro da Cidade", diz Ortiz que também alega que a cultura do sul-mato-grossense é de gostar de comer carne e que o público, aqui em Campo Grande, para esses pratos mais sofisticados, ainda não é considerável, mas que a nova geração será um público de potencial, pois os jovens namorados, das classes A e B, não procuram o Bifão para comemorações, eles ainda preferem a Cantina Romana, a Casa Colonial,"então esses estabelecimentos mais chiques estão construindo, aos poucos, o seu público alvo e para sair para namorar ainda é grande a procura por locais mais elitizados", afirma Ortiz que critica a atitude de alguns guias turísticos e também de atendentes de hotéis que indicam estabelecimentos da periferia para turistas conhecerem, "não é legal que levem o turista para a periferia", finaliza Ortiz.

Outra curiosidade são os "dogueros" do centro da Cidade, aqueles carrinhos de cachorro quente, segundo o presidente da abrasel, esse tipo de comercialização de comida é prejudicial a saúde, pois o funcionário fica das 19h até às 2h ou até mais da manhã sem ter um local apropriado para fazer as necessidades básicas, "acabam usando uma árvore e depois nem lavam as mãos", diz o presidente da abrasel que destaca a fumaça dos carros misturada com o feitio dos lanches. Mediante esse problema o SEBRAE está com um trabalho para implantar curso de manipulação de alimentos nesses estabelecimentos. Um dado interessante é o tanto que o Brasil gasta por causa das infecções alimentares, são, em média, 13bilhões anuais e são causadas 6.300 mortes por ingestão alimentar inadequada, além de 500 mil internações, a informação é da abrasel nacional.

A Abrasel tem, em média, 85 associados e nenhum dos que contribuem é estabelecimento de periferia. O presidente afirma ser interessante que o proprietário se associe, pois quando é preciso brigar por direitos, a unificação é mais forte, "isso ficou evidenciado quando a abrasel reivindicou em favor dos bares e restaurantes na questão da demarcação das calçadas, pois a lei da acessibilidade permite um metro e dez centímetros, mas pra Campo Grande a fiscalização queria que ficasse disponível dois metros e meio. Juntamos advogados e leis do Brasil, conseguimos inverter e esse beneficio foi para todos, associados ou não, mas o maior beneficiário com a atitude foi o Bar do Zé, que fica na Barão. Logo em seguida ofereci para ele se associar e ele não quis", diz Paulo Ortiz. Para se associar a abrasel ligue 3324 9803, na Morada dos Baís que fica na Av. Afonso Pena. No Brasil a abrasel existe há 18 anos e em Mato Grosso do Sul, em média, há 12 anos.

A psicologia explica um pouco sobre esse comportamento da população e do ser humano em geral, onde o psicólogo especialista na área de aconselhamento, Olivar Estevan Correa Ribeiro afirma que o calor humano, em se tratando da sociedade em que vivemos ser uma sociedade que tem como característica marcante a solidão, faz com que pessoas vivam sós no contexto urbano atual. "Muitas tem dificuldade de compartilhar suas vidas, temores e angústias. Apesar de desejarem um relacionamento mais profundo, não conseguem romper com as barreiras e ir ao encontro do outro, acredito que por este motivo restaurantes na periferia que estão sempre lotados de pessoas proporcionam um ambiente de calor humano e muita confraternização. Ir a um lugar com apenas duas ou três pessoas com  condições financeiras adequadas não seria tão interessante quanto ir com toda a turma em outro local com acesso a todos", explica o psicólogo que descata que outro evento característico de nossa época, é que nossa sociedade vive uma profunda crise existencial, "a crise do "SER" e do "TER". Vivemos em tempos onde TER é mais importante do que SER. Somos avaliados, aceitos, valorizados se tivermos alguma coisa e não se somos alguém. Nossa sociedade assumidamente capitalista e consumista tem gerado um conceito utilitarista nas pessoas, fazendo-as crer que só terão valor se possuírem bens e estiverem participando da produção de outros bens. Sendo assim restaurantes e bares da periferia não separam as pessoas por classe. Ali você não separa a Classe A da Classe B estamos todos no mesmo lugar. Ambiente assim de certa forma promove o SER mais que o TER", finaliza Olivar.

Um exemplo pitoresco é o caso do astro da música pop, Michael Jackson que poderia ter escolhido para ser sua chefe de cozinha qualquer especialista do mundo inteiro, mas preferiu dona Remi, uma brasileira de 84 anos que tinha lugar no coração do cantor. Desde os anos 80 a cozinheira trabalhou para Michael Jackson e em entrevistas a outros metres e chefes de cozinha, eles perguntavam qual era o segredo e ela dizia, "vocês cozinham couve?", os especialistas nem sabiam o que era couve. "Ele não comia qualquer comida e gostou da minha comidinha. Fazia panqueca de vegetais, crepe e outras mais", conta Remi Vale Real, mineira de Curvelo. Ela conta que fazia feijão preto com arroz para Michael Jackson. "Ficava vigiando, contando histórias para ele comer sem perceber. Ele se fazia de criança e eu aproveitava para dizer "você é o meu baby e tem que comer senão mamãe fica triste". Ele ria e comia", lembra dona Remi.

Bares e restaurantes longes do centro da Capital

• Bifão do bairro Cophasul

• Verdão da Av. Júlio de Castilho

• Bar do Hollywood no bairro Pioneira na Av. Ana Luiza de Souza

• Farinha D´água no bairro Universitária, na Av. Guaicurus

• Dennys na Av. Júlio de Catilho

• Bar do Fernando no Jardim Presidente

• Bar do Gato da Cophasul

• Bar do Adão do Guanandi

• Bar Confraria do Choro Vila Alba,

• Bar do Dedinho, na Euler de Azevedo

principal  |  voltar  |  Imprimir

 

Da Redação

.
06/02/2010 - 16:14  Marisa vê "uso político" na ajuda às vítimas das enchentes
06/02/2010 - 16:12  Será que ele é tucano?
06/02/2010 - 16:10  Moka assumirá Comissão Mista de Orçamento do Congresso
06/02/2010 - 16:07  Dagoberto é reconduzido à liderança do PDT
06/02/2010 - 16:05  IPTU premiará pontualidade
06/02/2010 - 14:00  Lei Antifumo entra em vigor em março
30/01/2010 - 16:12  Nelsinho retribui apoio de Lula
30/01/2010 - 16:10  Nova retração do FPM engessa receita das prefeituras
30/01/2010 - 16:08  Campo-grandense inaugura restaurante em Los Angeles
30/01/2010 - 16:05  Vistorias da Funai devem ser notificadas antecipadamente
30/01/2010 - 16:02  Nova rodoviária será ativada amanhã
30/01/2010 - 16:00  Carnaval 2010 agita Campo Grande
23/01/2010 - 15:15  Diretoria da Fundação MS pede asfalto para deputado Dagoberto
23/01/2010 - 15:12  André socorre transporte escolar
23/01/2010 - 15:10  Prefeito derruba Lei inconstitucional
23/01/2010 - 15:06  CDL discute com Planurb revitalização do Centro
23/01/2010 - 15:05  Prefeitura melhorará limpeza da Praça do Rádio Clube
23/01/2010 - 15:00  Governador assina decreto de situação de emergência para Novo Horizonte do Sul
19/12/2009 - 17:05  Para Siufi, Legislativo Municipal tem compromisso com o bem-estar
19/12/2009 - 17:03  Sindivest/MS espera crescimento de 20% para 2010
 
 


Publicidade
Destaque da Capa





Publicidade