Circulando desde Fevereiro de 1992,  Edição Nº: 762
Campo Grande - MS,08 de Julho de 2008  
Entrevista - Cel Ociel Ortiz Elias
Cel Ociel Ortiz Elias

"Procuramos aperfeiçoar sempre nossa estrutura"
A entrevista da semana é com o Comandante Geral do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Cel Ociel Ortiz Elias. No último dia 2 de julho foi comemorado o Dia Nacional do Bombeiro.

Jornal de Domingo – O Corpo de Bombeiros está presente em quantas cidades hoje? Qual é o efetivo e quantas viaturas vocês possuem?
Coronel Ociel –
Nós estamos aqui na Capital e em mais 20 municípios. Temos em torno de 31 unidades operacionais, sendo que em Campo Grande são nove unidades. Essas unidades acabam atendendo inclusive os municípios que não tem corporação de bombeiros. A unidade mais próxima cobre aquela área e faz o atendimento.
Nós atendemos em 2007, aproximadamente 69 mil ocorrências, quase 70 mil ocorrências anuais em todo o estado. Esse ano, até o mês de maio, nós registramos em torno de 32 mil ocorrências, sendo 2558 na Capital. A média diária é de 48 ocorrências.
O efetivo nosso hoje no estado é de cerca de 1300 bombeiros e viaturas só aqui na capital. Temos 20 operacionais, que são as que atuam em incêndios, resgates, transporte de acidentados. No Estado todo temos 100 viaturas.

Jornal de Domingo – O corpo de Bombeiros Militar é uma das corporações da segurança pública que recebe mais credibilidade da sociedade. Que fatos o senhor atribui a essa credibilidade?
Coronel Ociel –
Até pela razão do próprio serviço que a corporação presta. Normalmente quando a pessoa solicita a corporação é porque ela está precisando de uma ajuda, (pelo fato de nós atuarmos na prestação de um serviço às pessoas, ajudando-as, quando há um incêndio você salva os bens materiais, quando é um acidente você socorre), isso tudo faz com que a população admire a corporação.
Nós temos a consciência de que a corporação é respeitada pela população e isso é uma responsabilidade muito grande. Temos falado nisso internamente e procurado cada vez mais melhorar a estrutura da corporação, melhorar o pessoal através de treinamentos, para aprenderem novas técnicas. Às vezes deslocamos efetivos para outros estados e até para outros países para aprenderem novas técnicas e poder aplicar aqui no Estado. Nós procuramos sempre aperfeiçoar nossa estrutura para não deixar nunca a coorporação cair no descrédito.

Jornal de Domingo – Quais os tipos de atendimento que a corporação realiza, além de acidentes de trânsito?
Coronel Ociel –
Hoje a área que mais atuamos é atendimento pré-hospitalar. Qualquer tipo de colisão envolvendo pessoas nós somos acionados. Temos todos os equipamentos para retirar, por exemplo, as pessoas que ficam presas em ferragens. Mas dentro desse atendimento pré-hospitalar, às vezes a pessoa tem um mal súbito e liga para a gente. Às vezes uma pessoa que está prestes a dar a luz e precisa de uma ajuda, por exemplo. É nessa área que mais trabalhamos. Mas independente disso atendemos todos os tipos de incêndio em residência, prédio, terreno baldio, pastagem, fazenda, casos de salvamento de pessoas que estão desaparecidas em matas, busca de pessoas que morrem afogadas. Com relação à poda de árvores, nós atuamos quando oferece risco de cair e provocar um dano à residência ou veículo. Para isso, fazemos uma análise antes, pois só a poda nós não fazemos, a não ser que seja um galho que esteja ameaçando cair. Mas se não for necessário, nós não cortamos. Enfim, é uma série de atividades que a corporação presta. Além disso tudo, nós atuamos na prevenção. Nesses meses de junho e julho, que acontecem as festas juninas, damos orientação como deve ser montadas as barracas, a fogueira, deslocamos uma equipe para ficar durante o evento quando há uma concentração muito grande de pessoas, fazemos vistorias em locais antes da realização de shows, bem como da estrutura de circos, de parques de diversão para garantir a segurança do público.
Uma novidade que deve ocorrer em breve (ainda esse ano), é a utilização de motos aqui na Capital. Nós temos as unidades de resgate que são as ambulâncias. No caso de um acidente, ela se desloca até o local e presta um atendimento e depois transporta a vítima para o hospital. Agora vamos atender de moto. Serão pessoas que estão habilitadas para o pré-atendimento hospitalar e que agora serão habilitadas para pilotarem essas motos no trânsito. Eles poderão chegar antes das ambulâncias quando houver um chamado de acidente. A tendência é chegar mais rápido e já dar os primeiros atendimentos até a chegada da viatura, e depois que a vítima for levada ao hospital, essa moto irá permanecer no local, pois tem outros procedimentos que são feitos antes da chegada da polícia técnica da Polícia Militar. São Paulo e outros estados implantaram esse serviço e deu certo. São Paulo conseguiu reduzir em torno de 50% o tempo de resposta dos atendimentos. Vamos fazer em caráter experimental aqui na Capital e se der certo, será implantado no interior do estado. Fizemos a aquisição de quatro motos à princípio.

Jornal de Domingo – Qual é o tempo resposta de vocês hoje?
Coronel Ociel –
Nós temos nove unidades, todas localizadas em pontos estratégicos da cidade. Então dependendo do local onde aconteceu o acidente, o atendimento é bem rápido. Mas esses acidentes aqui na área central, a média nossa é de 6 minutos.

Jornal de Domingo – Como é lidar no dia a dia da profissão com o risco da morte?
Coronel Ociel –
Existe esse risco que as pessoas atribuem à corporação. Mas eu posso te afirmar que ele é mínimo possível, porque para toda e qualquer tipo de ação é feito uma série de treinamentos. Existem equipamentos que a corporação utiliza, existem dispositivos de segurança. O bombeiro, por exemplo, quando vai fazer o transporte de uma vítima no cabo de uma edificação para outra, ele já foi treinado para isso, ele conhece o equipamento que está sendo utilizado, principalmente para evitar que ocorra um acidente. Aqueles cabos mesmo, que as pessoas até assustam porque é fininho, no entanto, o cabo tem uma resistência para três mil quilos. Existe uma margem muito grande de segurança para proteger a vida do bombeiro.

Jornal de Domingo – Coronel, o senhor tem trinta anos de exercício da profissão, tem algum caso que tenha lhe marcado?
Coronel Ociel –
Têm bastante. Nós sempre falamos, nunca existe uma ocorrência igual a outra. Mas posso relatar dois casos. Um aconteceu aqui Campo Grande, em 1987. Eu era comandante do grupamento da Costa e Silva e nós fomos chamados para resgatar uma pessoa que estava naquela torre da Embratel localizada na saída para Cuiabá, que deve ter uns 40, 50 metros. Ela tinha subido no topo da torre e estava ameaçando se jogar. Ventava muito naquele dia o que já era um risco evidente. Nós conseguimos subir e ficar bem próximos. Então o próprio vento colocava a vida dele em risco, e depois de conversarmos muito, um bombeiro conseguiu se aproximar e fazer o resgate.
Outro caso aconteceu em Dourados. Uma criança de três anos caiu dentro de um buraco de mais ou menos seis metros de profundidade.
Tivemos que fazer um buraco paralelo para poder socorrer a criança.
Foi um trabalho complicado porque se corria o risco da terra desmoronar e a criança, ou mesmo nossa equipe, morrer soterrada. Mas também conseguimos resgatar a criança com sucesso.

Jornal de Domingo – Se acontecer um incêndio de grandes proporções em uma edificação em Campo Grande, vocês tem condições, equipamentos para atender esse tipo de ocorrência?
Coronel Ociel –
Nós temos viaturas e temos uma escada de 30 metros de altura. Existe uma legislação de prevenção aqui no estado que determina que toda e qualquer edificação que for construída tem que seguir alguns quesitos com relação à prevenção e combate a incêndios, fuga das pessoas. Então todas essas edificações quando são construídas, o projeto tem que passar aqui pela corporação para que possamos fazer cumprir essa legislação de prevenção. A corporação tem uma exigência que tem que ter uma escada de segurança interna, onde tem iluminação de emergência, detector de fumaça e essa escada é enclausurada dentro da edificação. Por exemplo, aconteceu um incêndio no 30º andar. Aqueles moradores têm que ter conhecimento que eles têm que ter acesso a essa escada que vem até o térreo. ela deve ser resistente a fogo, calor, fumaça para garantir a segurança das pessoas.
Com essas medidas preventivas e com os equipamentos que nós temos, estamos tranquilamente preparados para atuar sim.

Jornal de Domingo – Estabelecimentos comerciais, igrejas, hospitais, etc., precisam contar com extintores para casos de emergência de um princípio de incêndio. Em Campo Grande, essa lei é cumprida?
Coronel Ociel –
O Bombeiro faz a fiscalização, nós realizamos a vistoria se esses extintores estão instalados e mais, se eles estão carregados. Também verificamos outras exigências de segurança. Estando tudo certo, nós emitimos um certificado que tem validade de um ano.

Jornal de Domingo – Qual a característica que uma pessoa que deseja se tornar um bombeiro precisa ter?
Coronel Ociel –
Eu acho que qualquer pessoa consciente, que tenha certo grau de instrução está habilitado para o Corpo de Bombeiros Militar. Porque para o dia a dia da profissão, durante o curso que ele é submetido, aprenderá. Eu acho que tem que ter certo grau de cultura para poder entender as instruções que ele vai receber. Logicamente que terá habilidades para umas áreas e não vai ter para outras. A corporação procurar fazer com que ele atue na área onde ele mostra mais habilidade.



Carlos Lanteri

José Eduardo Cury

Jary Carvalho de Castro

Ivan Louzada

Miguel Vieira da Silva,

Rodrigo Aquino

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Wantuir Jacini

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Ademar da Silva Júnior

Nelly Bacha

Ministro Gilmar Ferreira Mendes

Luiz Henrique Mandetta

Luiz Lima

Fábio Trad

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Hildebrando Campestrini

Pedro Pegolo

Américo Calheiros

Sérgio Longen

Paulo César de Matos Oliveira

Ricardo Massaharu Kuninari

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Paulo Sérgio Nahas

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Jerson Domingos

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Maria Cecília Amendola da Motta

André Puccinelli Júnior

Carlos Marun

Major Edmilson Lopes da Cunha

Danilo Burin

Delcídio do Amaral

Henrique Alberto de Medeiros Filho

Pedro Chaves dos Santos

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Valter Pereira

Romero Osme Dias Lopes

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Édison Holzmann

Coronel José Ivan de Almeida

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Marquinhos Trad

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Jary de Carvalho e Castro

Natálio Abraão Filho

Justiniano Vavas

Simone Tebet

Pedro Teruel

Lauro Davi

Desembargador João Carlos Brandes Garcia

Maurício Picarelli

José Dirceu

Cláudio George Mendonça

Antonieta Trad

Valter Pereira

João Leopoldo Samways Filho

Clóvis Smaniotto

Edil Albuquerque

Fábio Trad

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