Jornal de Domingo

O exaurir da cortesia no trânsito

16 de março de 2012 - 22h00

O trânsito seguro, ou seja, em viáveis condições para todos, é um DIREITO a ser disponibilizado. Entrementes,o que seria pois, um processo natural de se entender de repente passa por condições ininteligíveis e inobserváveis. Chegamos a um momento em que é extremamente necessário aprender a conduzir os veículos no trânsito com a mesma educação com que tratamos as pessoas as quais gostamos e buscar a todo custo proporcionar meios para a sociedade apresentar iniciativas direcionadas em valores como respeito, gentileza, cooperação, colaboração, tolerância, solidariedade, amizade, entre outros tão importantes ao trânsito seguro e harmônico.
O trânsito é o ambiente mais democrático que existe e é onde cada um deve mostrar respeito aos outros, sejam eles pedestres, ciclistas ou motoristas. Destarte quando tomamos conhecimento das estatísticas de acidentes de trânsito e do quanto os governos gastam com as vítimas nos conscientizamos de que é preciso fazer algo. O que se gasta hoje com os acidentes poderia ser muito bem aplicado na educação e na saúde.
Para corroborar essa afirmação com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil gasta, por ano, R$ 432,4 milhões em acidentes de trânsito. Desse valor, de acordo com o instituto, 42,8% se referem à perda de produção por morte ou invalidez, 28,8% a danos a veículos e 13,3% ao atendimento médico-hospitalar. Outros custos são os processos judiciais, congestionamentos, previdenciários, resgate e reabilitação das vitimas.
São dados para se escandalizar e peço: Escandalizem-se. Mas reajam,  façam alguma coisa. Engrossem fileiras entre aqueles que ainda não perderam a capacidade de indignar-se e lutar. Perfilem entre os que não perverteram as características básicas de seres humanos, que não se transformaram em homens... lobo dos homens. É mister  perscrutar pela nossa real identidade e enveredar pela tarefa de desencriptação de sentimentos que fervilham no interior do vulcão ou correm nos calmos rios subterrâneos de nossas capacidades imanentes aonde prevalecem os seres gregários,e onde se mantém vivos a chama da solidariedade.A civilização pressupõe a solidariedade, e em um segundo nível: a irmandade.
É isso que nos distingue da irracionalidade. E o que é a globalização, a sanha do mercado por lucro, a dominação impiedosa dos que tem mais contra os que tem menos? O que é a transformação do individualismo, da competição, dos horários escassos, da esperteza, da ascensão a qualquer preço. E esses aspectos refletem no trânsito em forma de embrutecimento, remetendo-nos a incultura, a grosseria, a rudeza, a brutalidade.
Precisamos humanizar nossas relações e vivenciar essa experiência. E este momento que vivenciamos reveste-se de singular importância para uma mudança de posicionamento quando se refere ao tema trânsito, constituindo-se num celeiro de desenvolvimento da cidadania ao contribuir, através de uma nova cultura, para que o trânsito se torne mais humano e, realmente, um exercício democrático e solidário, que se faz premente no atual contexto.

*Articulista e consultor educacional deste hebdomadário desde fevereiro de 1992

A Excelsa superioridade natural das mulheres

09 de março de 2012 - 20h25

A diversidade, as diferenças, a alteridade, os regionalismos sociais e culturais dissolvem de certa forma o fundamento universal dos direitos humanos; mas esse conceito a mulher carrega impregnado ao seu ser, juntamente com o Dom divino de estender a mão a quem não pediu e doar aquilo que nem foi solicitado. Nada mais justo que,por isso  estabelecer um dia especial para homenageá-las.Advogo que não precisamos esperar março para  lembrar de quão importante elas são em nossas vidas.  Se bem que, na verdade há mais de uma versão para a origem do Dia Internacional da Mulher, mas todas remetem a greves de trabalhadoras de fábricas têxteis desde a Revolução Industrial, no século 19.
Em 8 de março de 1857, tecelãs de Nova York realizaram uma marcha por melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária e igualdade de direitos. Na época, a jornada de trabalho feminino chegava a 16 horas diárias, com salários até 60% menores que os dos homens. Além disso, muitas sofriam agressões físicas e sexuais. Uma das versões do desfecho da marcha é a de que as manifestantes teriam sido trancadas na fábrica pelos patrões, que atearam fogo no local, matando cerca de 130 mulheres. O fim mais aceito, porém, é o da interrupção da passeata pela polícia, que dispersou a multidão com violência.
A versão do incêndio tem concatenação com a tragédia da fábrica TriangleShirtwaistCompany, em 25 de março de 1911. O fogo matou mais de 150 mulheres, com idades entre 13 e 25 anos, na maioria imigrantes italianas e judias.A falta de medidas de segurança do local - as portas teriam sido trancadas para evitar a saída das empregadas - foi apontada como o motivo do alto número de mortes.  8 de março  é símbolo da luta pelos direitos da mulher, e foi oficializada pela Unesco em 1977.
No Brasil o que não faltaram foram declarações de amor, desde clássicos da MPB, como "Luiza" de Tom Jobim e "Drão" de Gilbeto Gil, e também pop-rock como "Carla" do LS Jack, e "Regina Let´sGo" do CPM22. Tiveram também, músicas que simplesmente falavam da mulher, sua rotina, seus hábitos, "Dani" do Biquini Cavadão, "Leila" do Legião Urbana e "Natasha" do Capital Inicial,  e Camila,Camila de Nenhum de Nós e são bons exemplos disso, apesar da minha preferência ser na linha de  “Amanda” com Lulu Santosou ainda Cristina com Roupa Nova e “Elaine” com o ABBA. E quanta gente não cantarolou: A estrela Dalva, no céu desponta e a lua anda tonta com tamanho esplendor...
Mas, não foram apenas músicas e poesias feitas para as mulheres, mas também por mulheres. Elas cantaram e encantaram com suas belas vozes. E com sua músicas, romperam tabus e influenciaram gerações.Na área jurídica  tivemos avanços A Lei Maria da Penha promoveu  o aumento no rigor das punições das agressões contra a mulher quando ocorridas no âmbito domestico ou familiar.
Entretanto independente da área jurídica, histórica, trabalhista ou estética; o termo mulher sempre vai remeter-nos para o que encarna o verdadeiro entendimento da palavra e a que mais amplo conceito tem que é a mulher – mãe e por coincidência do destino, normalmente nossas mães  cruzam os portais do infinito antes de nós , e assim , aprendamos a transferir, todo o significado para outras mulheres, que são mães de nossos filhos , e para nossas filhas , que serão mães dos nossos netos e eles sendo bem orientados e educados podem fazer a diferença neste mundo. Louve-se que este seja o sublime milagre da vida. Este é o sentido de nossa existência e se o homem encarna a força do Criador, a mulher encarna sua beleza e amor. O homem e a mulher, são sim complemento um do outro, são a coroação da criação. Esta é uma realidade poética intransponível e indiscutível.

20 anos depois...

02 de março de 2012 - 22h51

Em março de 2012 estou completando 20 anos como articulista. É certo que ao fazer tudo isso agreguei um conhecimento incomum e privilegiado, assim como  uma amplitude que jamais poderia ter imaginado. Entretanto na maioria das vezes pensara que quando aceitamos as coisas, de uma maneira natural elas nos sobrepujam de um modo ou de outro. Ouso inferir que isso não é verdade, não há supedâneo, em absoluto.
O que me valeram estes anos todos foi entender que somente aceitando as coisas e procurando entendê-las é que nós podemos assumir uma atitude em relação a elas. Desatando os nós e algumas amarras do passado para enfrentar a vida como ela é. A que ponto chegamos... Imagino propugnar agora por fazer o jogo da vida. Então chegamos ao ponto crucial. Como faremos isso?
Em primeiro lugar devemos ser receptivos a tudo que nos chegar, tanto faz se for bom ou mal, sol e sombra alternando-se eternamente; dívidas amontoando-se,ligações dos cobradores (faz parte) e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos e assim poder entender a limitação das pessoas ao nosso redor . Só que esbarrei num grande problema: a linguagem.
Ainda estou decidindo se sou eu que não entendo as pessoas ou são elas que não me entendem. Poderia citar quão diferença em ouvir Alcione (marrom) de 20 anos atrás e a Mulher Melão cantando o hit “Você quer ? Entretanto esse assunto é tão vasto que deixo para o próximo artigo; se Deus assim permitir.
Mas quero me reportar a uma nova linguagem: a do mundo virtual.
É uma seqüência de simplificações informais e que com a difusão dos avatares, chats, nicks, orkuts e blogs causam uma grande preocupação para todos os pais e educadores que me procuram para falar sobre esse assunto.  Desde domingo, por conta própria comecei a fazer um mini-dicionário internetês – português onde já constam, por exemplo: Tc=teclar, demais=d++, porque=pq, aqui=aki, não= naum, de=d. Talvez possa ir mais além.
Que tal uma gramática de bolso com a exordial a partir da grafia correta das palavras e de seus significados? Para aqueles que esqueceram que mal e mau têm diferença ou ainda aquelas que parecem mas não são: deferir (aceitar) e diferir (diferenciar); flagrante (evidente,no ato) e fragante (perfumado); infringir (desrespeitar) e inflingir (aplicar) ou ainda um vernáculo para apimentar esse texto: incipiente (iniciante) e insipiente (ignorante).
Quantos de nós sabemos isso? Não quero afirmar que a nossa língua culta está ameaçada, longe de mim dizer isso, mas que as pessoas entendem cada vez menos umas às outras parece óbvio. Agora, projetem isso para mais uns dez anos,o que poderemos esperar.
Outrossim percebo que as famílias não conversam entre si, os pais não sabem da vida dos filhos... Seus anseios e suas expectativas, ou seja mais e mais pessoas com depressão, estresse e fobias. Os filhos já pensam em como repartir a herança depois que os “velhos” se forem. E eu continuo aqui achando que ainda posso mudar o mundo através da educação. Triste fim de Policarpo Quaresma.

Bebida e direção não produzem rima!

22 de fevereiro de 2012 - 17h25

"Vamos simbora pro bar, Beber cair levantar..." (André e Adriano)

Esse sucesso  sertanejo já conhecido do público vai na contramão da tendência mundial dos legisladores preocupados com a questão dos acidentes de trânsito e precípuamente de suas conseqüências financeiras, tanto para o governo quanto para as famílias envolvidas.Haja vista que além do quesito pecuniário também é afetado psicológicamente,. Para citar um exemplo em Buenos Aires , a prefeitura implantou um programa para redução de acidentes. Com essa nova situação os condutores “aprovados” no teste de ebriedade pagariam uma multa de 200 a 2000 pesos ( algo entre R$106 e R$1060 reais) e por conseguinte poderão ter seu veículo levado pelo poder público só podendo buscá-lo no dia seguinte.O limite tolerado fica em 5 decigramas de álcool por litro de sangue.

Na Noruega, com informação colhida através do jornal "Aftenposten" apontou que, o milionário Kjetil Üleberg,55, foi flagrado com o teste do bafômetro indicando 7 decigramas de álcool por litro de sangue foi multado em R$ 136 mil,perdeu a habilitação por três anos e foi condenado a trabalhos forçados cortando lenha por 30 dias. Ressalte-se que a Noruega foi o primeiro país a ter legislação específica sobre o assunto (1936) e o limite de 2 decigramas por litro de sangue é o mesmo utilizado agora no Brasil.

No Reino Unido,além de utilizar a aparelhagem, como no nosso país, a polícia pode obrigar o condutor do veículo que aparentem estar numa situação de pós ingestão alcoólica para que realizem exames de urina ou de sangue e caso recusem podem ser presos por até seis meses além da multa (R$ 15.800 reais) e perder o direito de dirigir por um ano

No Brasil, o que acontece no “entorno” da festa de momo me preocupa; entretanto percebo várias correntes de pensamento: a primeira representa as pessoas que já perderam um ente querido em um acidente de trânsito.Para esses a lei deveria ser ainda mais rígida. Um segundo grupo estão relacionados os seguros de si.Dizem que sabem controlar o que bebem, já dirigem há muito tempo e nunca se acidentaram e um terceiro grupo já entende que a lei é inconstitucional e que assim que for autuado vai recorrer " qual o problema de tomar duas taças de vinho ? " Há um quarto grupo, e que eu considero o mais perigoso. Esses já entendem, que o máximo que a lei vai fazer é promover a corrupção    e completam: "para que criminalizar dois cálices de vinho se eu posso ter um carro que anda a 200km/h usufruir do ecstasy numa balada e ninguém nunca falou nada ! isso banalizaria a questão".

Entretanto,prezado leitor, independente do mérito da questão, a minha função de articulista é a de esmiuçar a legislação e apresentá-la da maneira mais abrangente possível e mostrar os dois lados da moeda. A escolha sempre vai ser sua. Só posso pedir que use sempre toda a sua razoabilidade nas suas escolhas. O nosso papel como formador de opinião é o de mostrar o porque não fazer e se fazer quais são as conseqüências. Por isso pelas novas regras se houver a medição por aparelho que é aferido por órgãos regulamentados e reconhecido pela legislação, os valores entre 0,1mg/l e 0,29mg/l haverá a possibilidade de ser atingido pela penalidade de multa de R$955 e sete pontos na habilitação com a suspensão do direito de dirigir por um ano.

Se por acaso o valor verificado for de 0,3 mg/l em diante terá a mesma punição mais a possibilidade de detenção que pode variar de seis meses a três anos, mas com a possibilidade de pagamento de fiança. Assim sendo reafirmo que a concentração de álcool será considerada ilegal será de 2dg/l ou 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões, que é equivalente a um copo de chope e a possibilidade de encaminhamento a Delegacia acontecerá a partir de 6dg/l de álcool no sangue ou 0,3mg/l de ar expelido dos pulmões . Não pode esquecer que o motorista poderá responder a inquérito policial sem a utilização do aparelho, porém, fundamentado pelos notórios sinais de embriaguez,torpor, constatado por exame pericial ou testemunhal ( o testemunho da autoridade policial terá crucial validade ). E mesmo com a recusa todas as medidas administrativas serão lançadas no prontuário do infrator

Por derradeiro, estou convicto que a intenção da Polícia não é flagrar motoristas alcoolizados; a intenção dos serviços médicos não é atender a acidentados; a intenção da previdência social não é aumentar os índices de aposentadoria por invalidez oriunda de acidentes; a intenção dos psicólogos não é tratar das famílias desestruturadas pela ausência de um ente querido e nem tampouco dos articulistas de ficarem analisando gráficos e estatísticas de acidentes. Todos nós queremos o lazer, a alegria e a diversão mas porque não fazê-lo embebido por uma boa pitadinha de responsabilidade.Esse é o tempero da vida e a melhor rima para o nosso futuro.

Articulista

Lugar de criança é...na “cadeirinha”

10 de janeiro de 2012 - 18h31
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Acredito ser  ponto pacífico o  fato de que o uso da “cadeirinha” de segurança reduz o risco de lesões e óbito das crianças nos acidentes automobilísticos. Em função da Resolução Contran 277/08; que preconiza que  crianças de até sete anos e meio deverão ser transportadas obrigatoriamente no banco traseiro utilizando dispositivo de retenção. A alegria está em comemorar o resultado da norma “famosa” que após um ano de vigência pode ser medido estatisticamente e de fato foi constatado pela Polícia Rodoviária Federal, que apontou uma diminuição de 41,18% no número de mortes de crianças nesta faixa etária em um ano. Os números apresentados  mostram que 40 crianças de até sete anos morreram em acidentes no primeiro semestre de 2011. Sendo que em 2010, haviam sido 68 óbitos no mesmo período. Na verdade ressalto que o simples uso da cadeira já diminui a mortalidade das crianças (um a quatro anos) em 47% e as lesões em 22% a 50%, dependendo da gravidade da colisão. Quando utilizada corretamente, os números são ainda mais alarmantes, com redução de até 71% na mortalidade e de 67% a 69% nas lesões graves com necessidade de hospitalização. Lembro de uma pesquisa nos Estados Unidos, em 1990 e 1991, aonde foi observado que apenas 41% das crianças de um a quatro anos utilizavam equipamento correto para sua idade. Estimo que mais de 70% das crianças que usam a cadeira de segurança têm risco de lesão, pelo fato de não estarem corretamente instaladas.
Outro fator que contribui para o aumento do risco de lesões é a passagem precoce da criança para o cinto de segurança, principalmente no que refere à lesão craniana. O crânio é, inclusive, o local mais acometido (40% a 48%), seguido por lesões de extremidades, abdominais e torácicas, respectivamente. Há também o risco da “síndrome do cinto de segurança”, que ocorre quando a criança está no banco traseiro com cinto abdominal ou no colo da mãe no banco dianteiro esta é a principal causa de trauma em coluna vertebral em crianças, além de ser responsável por lesões viscerais e da parede abdominal. Quando os veículos são equipados com air bags, o risco de óbito é acrescido em 31% nas crianças transportadas em cadeiras de segurança, principalmente quando estas estão viradas para trás, e em 84% nas crianças sem a cadeira. Estou convicto que os motoristas estão mais conscientes quanto a necessidade do equipamento para o transporte de crianças pois todos que eu abordei neste fim de ano sabiam do fato mas apenas não acreditaram que seriam fiscalizados e “tentaram” viajar assim mesmo e  com registro de casos de lotação excedente; tanto que autuei apenas alguns poucos incautos condutores. Por isso devemos inaugurar uma nova fase que é a de ajustar com exatidão os dispositivos de retenção assim como os assentos de elevação pois a “cadeirinha” ajuda muito, entretanto deve estar bem regulada e por conseguinte,o veículo estar a uma velocidade compatível. Essa receita, sim ... é infalível para que a morte diminua sua voracidade de ceifar vidas através do trânsito.

Sobre o Colunista

Rosildo Barcellos

Gabarito

Professor, articulista e Consultor educacional.
Contato: barcellos.sitecar@gmail.com

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