Circulando desde Fevereiro de 1992,  Edição Nº: 762
Campo Grande - MS,08 de Julho de 2008  
Danilo Costa Filho
Jorginho neles!

Alfred Nobel (1833-1896), químico e inventor sueco, inventou o TNT (dinamite). Ao ver a sua obra prima sendo usada para fins militares, caiu em profundo desgosto, pois à ela estava sendo atribuída um uso deturpado da idéia inicial que seria a construção civil. Tentando amenizar o peso em sua consciência, Nobel exigiu em seu testamento que um prêmio anual em nome da Fundação Nobel fosse criado para premiar aqueles que contribuíssem para a paz mundial. Alberto Santos Dumont(1873-1932), imortal brasileiro e pai da aviação mundial, ao ver a sua invenção, o avião, sendo usado para atacar pessoas e arrasar campos de batalha, caiu em uma angústia tão profunda que decidiu dar fim à própria vida. A sua obra-prima, assim como a de Nobel, havia caído em mãos erradas.
Pois bem. Jorge Guinle (1916-2004), também conhecido como Jorginho Guinle, foi o maior “playboy” da história brasileira. Herdeiro da milionária fortuna da Família Guinle, dona do Hotel Copacabana Palace, Jorginho decidiu jamais trabalhar em sua vida e se especializou em como gastar dinheiro. E, indiscutivelmente, se tornou brilhantemente genial em fazê-lo. Assim como Santos Dumont conquistou os ares, Nobel o Dinamite, Jorginho gabava-se de ter conquistado famosas atrizes de Hollywood como Marilyn Monroe, Marlene Dietrich ,Hedy Lamarr, Rita Hayworth, Romy Schneider, Kim Novak, Ava Gardner, Susan Hayward, Jayne Mansfield, e Janet Leigh. “Vivi o que quis,quando eu quis", frase em que ele mesmo se definiu em uma de suas ininterruptas festas luxuosas na suite do “Copa”.
Certa Vez, em meio a uma conversa com o amigo americano Bloomingdale, dono da gigantesca cadeia de lojas americanas, os dois falavam sobre dinheiro quando de reperente tiveram uma idéia: por que não substituir o dinheiro em papel por algo como um cartão de plastico com uma identificação ? Instantaneamente Bloomingdale convidou Jorginho para, em sociedade, em entrar no negócio. O americano entendia como ninguem de comércio e o Playboy carioca como ninguem de gastar, seria o “know-how” perfeito para àquela gestão. Entretanto, Jorginho se recusou e não quis participar da empreitada. Achou ele que o tal “cartão de crédito” ,como tinham pensado, iria criar muita dor de cabeça para seus usuários. Quanta visão.
Com seu pensamento vanguardista o carioca não quis correr o risco  que Nobel e Dumont se submeteram. Os dois imortais inventores se auto-incriminaram ao verem suas respectivas obras-primas caindo em mãos erradas. Já o Playboy, ao que parece, conseguiu enxergar décadas além de seu tempo e previu o tipo de uso que políticos corruptos e pessoas mal-intencioanadas fariam de seu cartão. Ele não quis correr o risco de ver a sua criação(o cartão de crédito) sendo usada por nossos representante para desviar o dinheiro público, pagar contas pessoais e, sem dúvida, desviar o real foco da engenhoca, o qual era somente tornar mais práticas as suas gastanças.
A farra com os cartões corporativos passou dos limites e hoje, como se já não bastasse jogar nossos impostos “ralo a baixo”, somos obrigados a ver os tributos ,pagos com trabalho, financiando compras no Free Shop e tapiocas em lanchonetes. Declaro aqui o meu total apoio a CPI dos Cartões. Porém desta vez a CPI não terá como Presidente o Delcídio Amaral. Sugiro como Presidente,vitalício e honoris causis, Jorginho Guinle, que mesmo perito em gastanças ficou parecendo um ingênuo amador perto da turma do Governo, a qual conseguiu gastar R$ 75 Milhões em apenas um ano..
(*) Danilo Costa Filho - Acadêmico de Direito



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