Circulando desde Fevereiro de 1992,  Edição Nº: 762
Campo Grande - MS,08 de Julho de 2008  
Adriana Camargo
Gravidez – Mudança e Conflito de Identidade

A gestação percorre caminhos diferenciados, onde ocorre a mudança de identidade e definições de papéis.A mulher, durante a gestação do primogênito, deixa a condição de filha para tornar-se mãe. É fundamental ressaltar que as mudanças decorrentes da vinda do bebê não serão apenas psicológicas, bioquímicas, mas também sócio-econômicas e que incorrerá em um aumento no orçamento familiar e adaptações à condição profissional. As faltas reais, sejam afetivas ou econômicas, elevam as tensões e favorecem a regressão e ambivalência, podendo ocorrer sentimentos inerentes de aceitação e rejeição  caracterizados por perdas e ganhos. Com a atenção voltada para o futuro, a grávida aumenta as suas necessidades, o que faz com que intensifique a sua frustração, surgindo então a raiva e o ressentimento que poderão impedir a saudável gratificação de seu estado. A gravidez possibilita que a mulher alcance maiores níveis de amadurecimento, ampliando assim a sua personalidade dotada de atitudes saudáveis quando percebe as necessidades do bebê e as satisfaz adequadamente. É necessário que a criança seja vista  como um indivíduo separado e não, simbióticamente, confundido com a mãe. A relação doentia é caracterizada pela não possibilidade de os pais reconhecerem que o filho possui uma vida própria e que não virá ao mundo para suprir as suas próprias carências e solidão. A gravidez pode fortalecer a relação do casal ou fragilizar ainda mais uma relação neurótica. A figura paterna tem a sua função, apesar de pouco se referir ao seu papel durante este período. É preciso salientar que o homem contribui para a aceitação ou rejeição da gravidez, principalmente no que se refere ao esquema corporal feminino. Durante tal processo, pode surgir por parte do homem, sentimentos de ciúmes, rivalidade e abandono ocorrido em função da relação íntima vivenciada intensamente entre a mãe e o filho, podendo mesmo sentir-se “excluído”. Por isto, faz-se imprescindível o acompanhamento do parceiro junto ao desenvolvimento da gravidez de forma continua, para que ele se sinta parte de tal processo e amenize assim os seus próprios conflitos. A gravidez, enquanto crise, não se encerra durante o parto, pois logo após o mesmo deverão ocorrer os ajustes fisiológicos e a adaptação pai-mãe-filho dentro da rotina familiar para que estes indivíduos retomem o curso normal, porém diferenciado  do que se vivenciava anteriormente.Contudo, fora as implicações que envolvem todo o núcleo familiar, é a mulher a pessoa mais afetada em tal  situação, pois a mesma, ainda que desejando a gravidez, pode sofrer crises de choro, oscilação de humor e depressão, tudo dentro de uma intensa sensibilidade. No início da gravidez, percebe-se que a sonolência que a gestante manifesta é em decorrência da própria identificação com o feto.  Estes e outros aspectos que envolvem a gravidez como um todo, servem apenas como ajustes para as novas adaptações que devem ocorrer com a chegada do bebê, que funciona sempre como um símbolo de renovação e continuidade da vida.

Adriana Camargo do Nascimento
Psicóloga Clínica CRP 14/01893
Fone: 383-4159 



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