Circulando desde Fevereiro de 1992,  Edição Nº: 762
Campo Grande - MS,08 de Julho de 2008  
Jiyan Yari
Rastreabilidade e queda de barreiras comerciais

Recentemente o estado passou por uma crise na exportação de carne bovina, que quase fulminou com a quebra financeira do estado, embora todos já estivéssemos cansados de saber do protecionismo comercial europeu e também de suas exigências com relação ao cumprimento (até um certo ponto exageradas, porém justas) das normas internacionais de segurança alimentar e barreiras sanitárias. O comodismo nos levou a cometer o pior dos pecados de quem comercializa, que é: "O cliente sempre tem razão".
O produtor do nosso estado, de uma forma geral, nunca se preocupou muito com a rastreabilidade, e portanto, com a certificação de seu rebanho, logo era iminente que algum dia iria acontecer algo desta natureza, ou seja, iriam parar de comprar nossa carne. Logo já está mais do que na hora de nosso estado e seus produtores começarem a enxergar que MS não é o único lugar no mundo que tem carne para exportação, já que até o 1° lugar já perdemos para o MT, portanto temos de nos movimentar no sentido de agregar qualidade e até outros valores a esta carne, ou seja, agregarmos tecnologia, tanto para salvaguardar o seu valor sanitário como também gerando outros produtos que gerem tanta ou mais divisa do que a carne em natura.
Neste sentido foi produzindo um chip de identificação eletrônica para rastreabilidade bovina, desenvolvido pelo Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), em Porto Alegre (RS), que promete minimizar problemas enfrentados pelos exportadores de carne do País. O projeto recebeu a primeira parcela do investimento no valor total aprovado de R$ 18,1 milhões. Esses recursos, provenientes da instituição e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), serão investidos ainda na complementação da primeira linha de produção nacional para a fabricação de semicondutores (chips).
O Ceitec coordenará todo o processo, não só a fabricação do chip, mas também a montagem do brinco . O desenvolvimento de semicondutores nacionais reduz o déficit na balança comercial e permite que se possa desenvolver tecnologia e soluções/aplicações na área de microeletrônica focadas nas necessidades do mercado brasileiro. Esta lógica também pretende inverter o fluxo atual de uso de tecnologias desenvolvidas no exterior, fazendo com que o País passe a exportar também propriedade intelectual.
Pela primeira vez, o Brasil estará em condições de competir internacionalmente no mercado de semicondutores, uma vez que a tecnologia utilizada permite a aplicação em uma gama de outros setores eletroeletrônicos. O produtor pagará pela solução desenvolvida pelo Ceitec menos do que paga pelas importadas. Todo o projeto deve estar concluído até o final de 2009, mas o brinco pode ficar disponível aos produtores até o final deste ano.
É bom MS ficar de olho, pois: "Em terra de cego quem tem olho é Rei".
Jiyan Yari – Cientista da Computação; MBA em Gestão em Ciência e Tecnologia; Mestrando em Inteligência Artifical; Professor da UNIDERP-Anhangüera. jeanms@ig.com.br



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